Luanda, 27 de Abril de 2026 - Actualizar dados bancários tornou-se um verdadeiro teste de resistência para dezenas de clientes do Banco Angolano de Investimento (BAI), sobretudo na agência de Viana, onde utentes relatam longas filas, chegadas durante a madrugada e sucessivas tentativas sem sucesso.
Segundo testemunhos recolhidos pela equipa do Baconguinho News, muitos clientes começam a chegar entre as 4h00 e as 5h00 da manhã, enquanto outros optam por passar a noite nas imediações da agência para garantir um dos primeiros lugares da fila.
De acordo com os relatos, após a abertura do balcão, um grupo reduzido de clientes é atendido inicialmente. Minutos depois, os restantes utentes seriam informados de que o sistema destinado à actualização de contas se encontra indisponível, sendo orientados a regressar noutro dia.
“Há pessoas que já estão há três ou quatro meses a tentar actualizar a conta”, contou uma cliente ouvida no local, que afirmou estar na sua terceira tentativa.
Utentes referem ainda que, em alguns casos, outros serviços bancários continuam a decorrer normalmente no interior da agência, o que aumenta a insatisfação entre quem procura apenas regularizar os dados da conta.
Queixas estendem-se a outras agências
As reclamações não se limitam a Viana. Clientes relatam constrangimentos semelhantes em agências localizadas na Maianga, Primeiro de Maio e Kilamba Kiaxi.
“Chegas cedo, tiras senha, esperas, e depois dizem que não há sistema”, afirmou um cliente que diz tentar resolver o processo há cerca de dois meses numa das agências da Maianga.
Documentos expiram antes do atendimento
Outro problema apontado pelos utentes está relacionado com os documentos exigidos no processo de actualização de conta.
Trabalhadores por conta própria afirmam ser orientados a apresentar declarações de rendimento emitidas pelas administrações municipais. Contudo, como alguns destes documentos têm prazo limitado de validade, muitos clientes dizem enfrentar dificuldades para concluir o processo a tempo.
“A pessoa trata o documento, vai ao banco e não consegue ser atendida. Quando volta, às vezes já perdeu a validade”, relatou um utente.
Alegações sobre facilitação irregular
Durante a ronda feita pela reportagem, alguns clientes relataram ter ouvido propostas informais de terceiros nas proximidades de determinadas agências, prometendo facilitar entrada ou acelerar atendimento mediante pagamento indevido, prática conhecida popularmente como “gasosa”.
O Baconguinho News não conseguiu confirmar de forma independente a origem dessas alegações, nem se envolvem funcionários ou apenas indivíduos externos.
Critérios e exigências
Em visitas realizadas a outras unidades, clientes relataram exigências como declaração de serviço carimbada pela entidade empregadora e comprovativo actualizado do Número de Identificação Fiscal (NIF).
Alguns utentes defendem maior flexibilidade nos critérios, argumentando que muitos cidadãos exercem actividades informais e enfrentam dificuldades para reunir toda a documentação solicitada.
O que diz a lei
O processo de actualização de dados bancários decorre no âmbito das normas de prevenção ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, exigidas às instituições financeiras pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Essas regras determinam a actualização periódica das informações dos clientes, cabendo aos bancos definir os meios de comprovação considerados adequados.
Banco ainda sem posição oficial
Até ao fecho desta matéria, o Banco Angolano de Investimento ainda não se havia pronunciado oficialmente sobre as reclamações apresentadas pelos clientes.
O Baconguinho News mantém o espaço aberto para o contraditório e continuará a acompanhar o caso.
Fonte: Ronda e relatos recolhidos pela equipa do Baconguinho News em Luanda, no dia 27 de Abril de 2026.
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