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Tragédia no Bengo: 13 membros da mesma família perdem a vida em mina ilegal


Um deslizamento de terras numa mina ilegal de ouro no município de Nambuangongo, província do Bengo, provocou a perda de vida de pelo menos 28 garimpeiros na madrugada deste sábado.

Segundo informações divulgadas pelo porta-voz do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, Wilson Baptista, o incidente ocorreu por volta das 05h00 na aldeia do Mucunha, a cerca de 20 quilómetros da comuna de Kicabo.

De acordo com as autoridades, três pessoas foram resgatadas com vida, enquanto continuam as operações de busca para localizar possíveis desaparecidos.

Informações avançadas pela Rádio Nacional de Angola indicam que, entre as 28 vítimas mortais confirmadas, 13 pertenciam à mesma família, situação que está a aumentar o clima de dor e consternação entre os moradores da região.

Um dos sobreviventes, identificado como Alfredo Inga “Coragem”, relatou que encontrou dezenas de pessoas no interior de uma estrutura improvisada semelhante a um túnel utilizado para extracção ilegal de ouro.

“Quando cheguei à mata, estavam cerca de 60 ou 70 pessoas. O buraco parecia um túnel. Naquela confusão, o muro desabou”, contou à imprensa.

As autoridades locais afirmam que a insuficiência da rede de comunicação na região está a dificultar o trabalho das equipas de resgate e o levantamento de informações no terreno.

O caso está a ser acompanhado por responsáveis do Ministério do Interior no Bengo e volta a reacender o debate sobre os perigos do garimpo ilegal em Angola, actividade frequentemente marcada pela ausência de segurança e fiscalização.

Nos últimos anos, tragédias semelhantes já foram registadas nas províncias do Huambo, Huíla, Bié e Lunda-Norte, envolvendo minas clandestinas de ouro e diamantes.

Porque para muitos jovens e famílias inteiras, entrar numa mina ilegal tornou-se uma aposta desesperada entre sobreviver à pobreza ou não sobreviver ao próprio trabalho.

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