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O Assunto do Momento

“Eu não tinha que falar aquilo”: Pai Aturmento pede desculpas a Francisco Texeira e ao povo

O influenciador angolano Pai Aturmento voltou a movimentar as redes sociais após publicar um vídeo onde pede desculpas públicas a Francisco Texeira e aos seus seguidores. Durante o pronunciamento, Pai Aturmento reconheceu que não deveria ter feito determinadas declarações contra Francisco Texeira e decidiu abrir o coração diante do público. “Eu não tinha que falar aquilo contra ele. Desculpa ao Francisco Texeira. Nunca fui comprado pelo Governo. Ele sabe da vida que eu tenho e tudo que eu tenho é fruto do meu trabalho”, declarou. O influenciador aproveitou ainda para pedir desculpas ao povo e afirmou confiar totalmente em Deus diante das críticas e possíveis tentativas de cancelamento nas redes sociais. “Quem quiser cancelar, mesmo com o meu pedido de desculpas, está livre. Mas vou te falar uma coisa: as minhas redes sociais só vão cair se Deus permitir, porque Deus é quem me sustenta”, acrescentou. As declarações rapidamente geraram reações entre internautas, sobretudo porque outro in...

LUCRO FALA MAIS ALTO: UNIVERSIDADES PRIVADAS EM ANGOLA DEIXAM QUALIDADE EM SEGUNDO PLANO E SÓ SEIS CURSOS ATINGEM PADRÃO ACEITÁVEL



As universidades e institutos superiores privados em Angola estão a colocar a rentabilidade financeira à frente do investimento na qualidade académica, e os números oficiais começam a expor essa realidade de forma dura. Fontes ligadas ao sector da educação confirmam que eixos fundamentais para um ensino superior de excelência, como a investigação científica, a capacitação contínua do corpo docente e a modernização das infraestruturas, permanecem extremamente precários na maioria das instituições privadas do país, porque a gestão está orientada para resultados económicos de curto prazo e não para um projecto educativo sustentável.

O problema agrava-se quando se olha para a transparência. Mesmo funcionando sob o regime de sociedades comerciais, com lucros declarados e propinas que pesam no bolso das famílias angolanas, estas universidades não tornam públicas as suas contas e balanços financeiros. Na prática, a prestação de contas acontece apenas para os promotores e acionistas, que decidem sozinhos como aplicar os recursos arrecadados, sem qualquer nível relevante de escrutínio externo ou fiscalização por parte da sociedade civil. Essa gestão fechada levanta dúvidas concretas sobre o destino do dinheiro, porque a aplicação dos lucros na melhoria efectiva do ensino é mínima e está muito longe dos padrões internacionais de boas práticas académicas, onde se exige que parte significativa da receita seja reinvestida em pesquisa, laboratórios e formação de professores.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior, o INAAREES, confirmam o diagnóstico que já circulava nos corredores do ministério. De um universo de mais de mil cursos de graduação que foram submetidos a avaliação em todo território nacional, o resultado é preocupante e escancara o abismo entre o desempenho académico e os resultados financeiros que as instituições apresentam aos seus donos. A maioria dos cursos analisados não cumpre integralmente os critérios mínimos exigidos pelo órgão regulador, e os números finais são claros: cerca de quatrocentos cursos foram aprovados apenas com reservas, o que significa que precisam de melhorias urgentes para continuar a funcionar, enquanto somente seis cursos em todo o país atingiram níveis médios de qualidade, um patamar que ainda assim está distante da excelência. O relatório do INAAREES aponta directamente as feridas do sistema, identificando como principais fragilidades a investigação científica praticamente inexistente e a baixa qualificação do corpo docente, dois pilares críticos que comprometem a sustentabilidade e a credibilidade do ensino superior angolano perante a comunidade internacional.

As consequências desse modelo de gestão são sentidas directamente pelos estudantes dentro das salas de aula. O baixo investimento resulta em uma produção científica nacional com reduzido impacto global, porque não há financiamento para projectos, bolsas de iniciação científica ou laboratórios equipados. O ensino torna-se excessivamente teórico, com fraca componente prática, formando profissionais que chegam ao mercado de trabalho sem o preparo técnico que as empresas exigem. Além disso, o corpo docente é predominantemente composto por professores que possuem apenas o grau de licenciatura, sem mestrado ou doutoramento, o que limita a capacidade de orientar pesquisas e de actualizar os conteúdos programáticos. No final, o estudante paga uma propina elevada por um diploma que, muitas vezes, não garante nem competência técnica nem vantagem competitiva.

Diante deste cenário, especialistas do sector já antecipam que mudanças estruturais são inevitáveis. O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação está a preparar um novo quadro de financiamento e regulação para o subsector privado, com um objectivo político muito claro que é conter a mercantilização excessiva do ensino superior. A nova legislação que está a ser desenhada vai impor uma maior correspondência entre as receitas que as universidades arrecadam e o investimento real que fazem na qualidade académica, obrigando-as a comprovar gastos efectivos em infraestrutura, bibliotecas, qualificação de professores e projectos de pesquisa. A intenção do governo é fechar o cerco à chamada “fábrica de diplomas” e garantir que o lucro não continue a ser obtido à custa da formação precária de milhares de jovens angolanos.

Fonte: O Jornal


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